Deus Está Morto

“Deus está morto” (“Gott ist tot” em alemão) é uma frase muito citada do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Constantemente o homem está querendo matar Deus, o homem quer substituir Deus. Mas isso não é algo novo, da nossa era. O profeta Isaías narrou no capítulo 53 de seu livro a morte de Cristo, o mais impressionante é a forma como ele narrou e, que, posteriormente Cristo veio a morrer, vejamos:

“Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Isaías 53:7). Foi espantoso que o Servo do Senhor tivesse que sofrer, foi incrível que ele tivesse de ser morto sem choro. Não houve um aspecto do evangelho de Cristo que exigisse mais da credulidade das mentes do primeiro século do que a idéia de que Deus havia morrido. Era uma pedra de tropeço para os judeus e loucura para os gregos (1 Coríntios 1:23). E por que não? O próprio fato que os homens pudessem matar Jesus era prova convincente para as mentes práticas de que ele não era o Filho de Deus. Era, para eles, incontestável. Homens não podem matar Deus! E mais ainda, eles estavam certos. Nenhum homem, nem a humanidade como um todo, podem superar o poder de Deus (Salmo 2:1-5). A menos, naturalmente, que ele o queira; a menos que o permita.

O abate de bois é esperado com muito berro e esforços frenéticos para escapar, mas as ovelhas vão para sua morte quietamente, sem resistência. Nenhuma palavra poderia ter descrito melhor o modo surpreendente como Jesus aceitou seu sofrimento e morte do que Isaías. Nenhuma mão de carne e osso poderia tê-lo ameaçado, mas desde o princípio da sua estadia entre os homens Ele se fez acessível ao toque deles. Foi permitido que homens e mulheres pecadores o agarrassem em desespero (Marcos 3:10; 5:28). E ele freqüentemente colocou alegre e compassivamente suas mãos sobre eles (Mateus 8:3, 15; 9:29; Lucas 22:51). Em demonstração da realidade de sua verdadeira presença entre nós, em carne, João escreve: “… o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida” (1 João 1:1).

Mas ainda nos surpreende que aquele que tinha anjos sob seu comando (Mateus 26:53), um só dos quais pode destruir 185.000 soldados assírios em uma noite (2 Reis 19:35), nada fez diante do impiedoso ataque enfurecido dos homens ímpios que o agarraram e o brutalizaram sem misericórdia. A resposta, naturalmente, era simples. Seu Pai assim o queria (Mateus 26:54), e ele o queria (João 10:18). Jesus não esperou que os homens que acompanharam Judas para buscá-lo em seus esconderijos secretos o prendessem. O Filho de Deus tirou de Judas sua utilidade andando em direção à trilha da multidão e se identificando abertamente (João 18:1-4). O ungido do Senhor aceitou sua prisão sem discutir. Cuspo desdenhoso, misturado com sangue, desceu pela face do Deus em carne, mas “ele não abriu a boca”. É evidente que nenhum daqueles homens, nem um milhão iguais a eles poderiam jamais tê-lo pegado. Mas o que se torna cada vez mais aparente quando a profecia de Isaías se desenvolve em realidade histórica é que Jesus está simplesmente dando-se a eles. Quão pouco eles percebiam que tudo o que eles faziam era Sua vontade que estava sendo cumprida e não as suas próprias. Quão pouco eles percebiam que mesmo no seu desamparo, era ele que governava e dirigia os eventos, e não eles mesmos (João 19:10-11).

E assim Deus, na verdade, morreu como um cordeiro, inocente, sem se queixar. Já o ouvimos há tanto tempo que não ficamos mais chocados com isso.

Mas talvez a mais impressionante revelação de Isaías 53 fale da fonte do terrível sofrimento do Servo. O profeta não coloca este erro monstruoso, como poderia ter sido esperado, aos pés dos homens sem misericórdia. Ao contrário, ele diz ”mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6). E o que é ainda mais chocante:“Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo…” (Isaías 53:10). Aqui está embutida a terrível necessidade de redenção humana. É maravilhoso ler a promessa de Isaías que este Servo é destinado a servir não só Israel, mas as nações; mas o enorme custo divino só agora é percebido. Ele morreu como um cordeiro porque era um cordeiro, um cordeiro sacrificial para propiciar a justiça de Deus e tornar possível sua misericórdia clemente (João 1:29). Todos os cordeiros que tinham morrido na história humana apontavam para este. Jesus era o cordeiro pressentido no carneiro que morreu em vez de Isaque, no monte Moriá. O Senhor verdadeiramente providenciou! Ele era a verdadeira e última expressão do cordeiro imaculado da Páscoa cujo sangue abrigou Israel da ira de Deus no Egito (1 Coríntios 5:7).

Mas por que ele tinha que morrer, e morrer tão horrivelmente? Porque ele era a propiciação por nossos pecados (1 João 2:2) e nele tinha que recair a justa ira divina imparcial de um Deus santo (Romanos 1:18) que não pode ter “treva nenhuma” (1 João 1:5-6) e, portanto, não pode simplesmente dizer aos pecadores, a quem ele ama, “Eu vos perdôo”. “Se ele tivesse que perdoar meramente por compaixão, ou porque um ser soberano pode fazer o que quiser, ele destruiria a estrutura moral do universo” (Frederick Alfred Aston, O Desafio das Eras, 19). Talvez um anjo santo pudesse ter sido encarnado e propiciado os pecados de uns poucos de nós, mas para a iniquidade combinada de todos os homens, seria preciso mais do que a simples morte do próprio Filho de Deus, mas “morte na cruz”. A salvação é, oh!, tão gratuita para nós, mas não foi gratuita para ele.

Jesus veio ao mundo para cumprir esse plano redentor. Ele veio para nos resgatar do pecado, da morte, da perdição, do inferno.

O seu sangue, derramado na cruz, traz cura para as feridas da nossa vida, cura para o nosso casamento, cura para nossos relacionamentos, cura para as crises que sofremos.

Não deixemos que mais uma páscoa se passe, sem que nos lembremos do seu verdadeiro significado. Pascoa significa passar sobre. Que Jesus possa passar em sua vida e que o sangue dEle derramado sobre a sua vida possa lhe trazer libertação, cura, alegria, paz e amor.

NEle, que não está morto, mas que vive, e que morreu pelos nossos pecados

Tiago Nogueira de Souza

É para pensar: O perigo de terceirizar a criação dos nossos filhos

Babá leva crianças para um clube na zona oeste de SP
Babá leva crianças para um clube na zona oeste de SP

POR GIOVANNA BALOGH

A mãe desce do carro mexe no celular enquanto o pai pega algo no porta-malas. O bebê, chorando no carrinho na calçada, é balançado insistentemente pela moça toda vestida de branco. Em nenhum momento os pais pegam o filho no colo ou chegam mais perto dele para ver o que ocorre. Por incrível que pareça, a mãe não estava ocupada naquele momento, nem ele. Era um fim de semana e todos estavam a caminho de um restaurante.

A cena descrita acima mostra uma clara terceirização da criação de uma criança. Mãe e pai não se preocuparam em nenhum momento em acalentar o filho. E a terceirização seguiu durante o almoço…a babá deu comida, distraiu a criança e saiu para trocá-la enquanto o casal almoçou e conversou sem interrupções apesar de haver um bebê na mesa.

Todo mundo sabe que a mulher moderna ao trabalhar fora e cuidar da casa e dos filhos muitas vezes precisa de ajuda, seja de uma empregada doméstica ou de uma babá ou ainda da avó da criança. Cada um estrutura sua vida de acordo com a sua rotina e com as suas necessidades, ou seja, tem gente que opta em cuidar de tudo sozinho e outros que preferem um ‘help’. Mas, até que ponto essa mãozinha extra pode ou não ser saudável?

O que vemos com muita frequência é mãe com os filhos e a babá até em momentos de lazer, como no parque ou no shopping, quando os cuidados daquela criança ficam apenas no entorno da mulher de branco. A mãe mesmo estando ‘presente’ naquele espaço físico dá mais atenção às compras, por exemplo, do que saciar o interesse ou necessidade do filho. “Fulana, a escova de dentes dele está boa?”, disse uma mãe a uma babá outro dia em uma perfumaria. Ou seja, essa mãe não escova os dentes do filho? Nem uma vez por dia para saber se a escova está ou não mastigada?

O psicólogo e terapeuta familiar, Alexandre Coimbra Amaral, diz que o objetivo não é condenar quem contrata uma babá, que cuida com carinho e afeto dos nossos filhos. Ele alerta, no entanto, que precisamos de cautela para não entregar a elas o cuidado e o lugar de referência. “É uma perda considerável para a criança e para os pais, porque eles deixam de viver a beleza que poderiam viver com o filho e às vezes nem tinham conhecimento. Os filhos deixam de tê-los como esteio, e isso constrói socialmente uma lacuna que é importante, embora eles não estejam descuidados necessariamente. Eles vão olhar para os lados, ver outros pais que sim, cuidam, e pensarão: “os meus não estão tão do meu lado assim”. Isto é uma fonte de sofrimento, quando chega à consciência”.

MOMENTOS DE LAZER

O psicólogo diz que as horas de lazer são momentos de construir “pequenos e sucessivos rituais de conexão com nossos filhos”, ou seja, é nesse momento que eles conhecerão melhor quem somos (seus pais) e nós teremos acesso às suas crenças e como estão construindo a sua visão de mundo. “Isto é de uma riqueza insubstituível”.

Amaral diz que se a babá fizer apenas os cuidados básicos não há problema algum. O que deve ser evitado é a babá funcionar como figura central de apego, ou seja, o adulto de referência emocional que dá sustentação psíquica para a criança construir sua exploração do mundo. “O problema é que queremos tudo: queremos ter filhos, continuar com nossas vidas cheias de compromissos, mas não temos a capacidade de suportar que nossos filhos se estruturem mais na confiança de outro adulto do que de nós. Sofremos quando não somos estas figuras de referência”.

O problema, portanto, é a transformação do cuidador terceirizado em figura de referência, figura central de apego. “A intimidade com a criança constrói naturalmente esta conexão, a criança passa a confiar e precisar da presença daquele adulto que, em frequência e excelência de cuidado, está do lado dela. Se os pais estão mais fora do que dentro do seu cotidiano, a criança vai construir esta ligação com um terceiro, necessariamente”.

MOMENTOS DE INTIMIDADE

Uma mãe pode trabalhar fora e ainda sim cuidar/criar muito bem de seu filho desde que compartilhe com ele momentos de intimidade e entrega, ou seja, chega do trabalho e brinca com ele, dá banho, jantar e o coloca para dormir. “A mãe que contrata babá de fim de semana, babá noturna, enfim, não está na linha de frente do cuidado do filho que fica desnutrido afetivamente, ou seja, há a terceirização da criação”, comenta o psicólogo.

Amaral diz que é preciso achar uma forma de equilibrar a soma entre trabalho, lazer, vida privada dos pais e não obstruir a disponibilidade mínima de tempo e energia que um bebê precisa, principalmente, nos dois primeiros anos de vida (fase de simbiose),  quando a formação do vínculo com ele é crucial para o bom desenvolvimento. Ou seja, cada pai, cada mãe vai encontrar – mesmo aos trancos e barrancos – o seu ponto de equilíbrio. “Ser mãe e pai dá trabalho, exige tempo, esforço, mudanças internas, reorganização da vida, das metas, da rotina, das prioridades. Exige muitas metamorfoses, que são inclusive o que a gente trabalha com as mulheres puérperas, que começam a sacar isso logo que estão naqueles duríssimos primeiros meses, pós-nascimento do filho, acostumando-se às novas rotinas e sobretudo à nova identidade”.

O psicólogo conta que a mãe que trabalha fora não precisa terceirizar, mas compartilhar o cuidado por algumas horas seja com a babá, com as professoras da escola ou com a avó da criança. “Se tomamos o provérbio africano “it takes a village to raise a child” [é preciso uma vila para criar uma criança], na formação da ‘vila’ os pais se responsabilizam qualitativa e quantitativamente pelo cuidado dos filhos, ou seja, não delegam para terceiros, mas contam com a ajuda de outros adultos”, afirma Amaral. “Terceirizar é repassar a responsabilidade, é alienar-se da função em sua grande parte. Compartilhar é outra coisa. Compartilhar o cuidado é reconhecer que se necessita de uma vila para se criar uma criança”.

O terapeuta diz que muitas vezes quando coloca em uma sala de terapia os pais e os “cuidadores terceirizados” para conversar sobre a criança. “O resultado em muitos momentos é constrangedor para os pais, porque a babá, por exemplo, é quem dá as respostas mais precisas sobre quem é a criança que ela cuida”.Segundo Amaral, isso acontece porque são elas quem convivem mais com a intimidade daquela criança e, portanto, tem acesso às minúcias do que ocorre em suas vidas. “Os pais podem se transformar em figuras distantes, ainda que com um papel marcado como, por exemplo, de mero provedor financeiro”.

DEDICAÇÃO SUFICIENTE?

Amaral diz que quem vai dar sinas de que o tempo dado pelos pais não é suficiente é a própria criança. Ele conta que uma vez presenciou uma garota dizer: “eu tenho tudo o que quero, quando eu quero, menos o que eu quero, que é você, pai”.

Muitas vezes as crianças não vão falar tão diretamente, principalmente as menores, mas vão dar sinais que podem ser desde birras, problemas de convivência com colegas, irmãos, rejeição ou extremo apego à outra figura de cuidado, como a babá. “É o filho quem vai dizer se está bem para ele a quantidade e a qualidade da presença materna ou paterna. Quando ele sente falta, dá algum sinal. Na verdade estão apresentando sintomas para trazerem seus pais de volta”. E seu filho, já deu algum sinal de que algo não vai bem?

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