Igreja de um crente só.

Por Marcos Meier

Tem muita gente por aí dizendo que é cristã, mas que segue o cristianismo de um jeito particular, só seu. Até aí, não vejo grandes problemas, pelo contrário, pois Deus não tira nossa personalidade para nos fazer de vacas presepiais retardadas seguidoras de inutilidades vivenciais, mas contradizer Jesus, é outra coisa.Se o cara afirma ser cristão e diz que o muçulmano deve morrer, que o espírita é do diabo ou que os países que perseguem os cristãos deveriam sofrer enchentes, furacões ou terremotos, não entende o princípio básico do cristianismo: amar até mesmo o inimigo.Se o sujeito diz para um crítico: “você vai morrer no inferno”, não entendeu nada sobre o perdão que o próprio Cristo ordena.Se o cristão se deixa enganar por pastores corruptos que dizem “pague isso ou aquilo para entrar no céu”, não entendeu que a vida eterna é de graça, presente divino.E por último: se alguém afirma ser cristão e julga as outras pessoas condenando-as por suas ideias ou comportamentos, nem menos leu o texto “não julgueis para não serdes julgados”. Afastar-se em silêncio, é também uma forma de julgar. Não querer nem conhecer uma pessoa que pensa diferente, também é.Assim, é melhor aprender a amar, pois: “ame a teu próximo como a ti mesmo”  e “amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” é toda a essência de quem devemos ser e de como devemos agir.Portanto, se alguém diz ser cristão, tá na hora de por em prática pelos menos os princípios básicos do cristianismo, senão vai fazer parte de uma igreja que não é de nenhuma denominação, mas a sua própria. Uma igreja de um crente só.

O homem de 2003

Gregório Duvivier, na Folha de S.Paulo

O Homem de 2003 acorda ao som do seu celular tocando o Nokia Tune. O homem de 2003 abre a sua agenda (ele ainda usa agenda) e descobre que tem uma reunião no centro da cidade dali a uma hora. “Uma hora é tempo de sobra para chegar no centro”, ele pensa, “ainda dá pra tomar um cafezinho” –coitado.

O homem de 2003 sai de casa com R$ 5 na carteira: ele acha que a passagem custa R$ 1,50. Ao entrar no ônibus, percebe que além de custar R$ 3, agora tem uma televisão em que passam dicas astrológicas. O trânsito está parado e o homem de 2003 já leu 11 vezes o seu horóscopo. O homem de 2003 chega na reunião com uma hora e meia de atraso. As pessoas não parecem se incomodar –essa é a vida em 2014. Os colegas riem quando ele põe trema. Tadinho do homem de 2003. Ele é do tempo do trema!

O homem de 2003 vai à padaria e pede um cafezinho. O caixa de 2014 estende a máquina do cartão: débito ou crédito? O homem de 2003 não sabe o que responder. Não faziam essa pergunta em 2003. O homem de 2003 estende uma moeda de 50 centavos. O caixa explica: “Custa R$ 7″. “O cafezinho?” “É Nespresso”, ela responde. “É o quê?”.

O homem de 2003 desiste. “Chegando em casa eu passo um café (o homem de 2003 ainda fala “passar um café”).” O homem de 2003 liga para os amigos, mas eles não atendem. As pessoas não atendem mais o telefone em 2014. Ele joga no Yahoo perguntas: “Como falar com amigos em 2014?” e descobre que ele tem que baixar um Whatsapp. Mas não sabe como fazer isso no seu Nokia 1100.

O homem de 2003 vai ao pior bar da cidade. Quem sabe assim encontra seus melhores amigos. Felizmente, certas coisas não mudam: seus melhores amigos continuam frequentando o pior bar da cidade. A diferença é que cada um está mergulhado na tela do seu celular. Fazem carinho na tela, coçam a tela, tamborilam a tela. Quando falam, é para comentar o que está na tela: você viu isso aqui? Você leu isso aqui? Vou te mandar isso aqui. O homem de 2003 conta uma piada, mas é velha. Arrisca uma fofoca, mas é manjada. Quando fala de política, é um desastre. Ele diz que acredita no Lula. Ele diz que sonha em ver a Copa no Maracanã. Os homens de 2014 voltam para sua tela. Postam no Facebook: Amigo petralha #semcomentários.

Na volta, o ônibus lhe dá uma dica: “O homem de Áries precisa se adaptar à realidade ao seu redor”. Ele decide: “Vou comprar um iPhone”. Enquanto isso não acontece, pega o celular e se contenta com o jogo da cobrinha.

A empresa que faz vídeos sobre depressão e apoia quem precisa de ajuda

PARCERIA Ana Saad e Geison Luz, em São Paulo. Com problemas de infância parecidos, eles filmam histórias difíceis de vida (Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA)

 

Publicado na Revista Época

Ana Maria Saad e Geison Ferreira Luz têm muito em comum. Além de ter passado por transtornos emocionais na infância, têm grande paixão pelo cinema. Juntos, fundaram a Pensamentos Filmados, que conta histórias de pessoas que, como eles, viveram em meio a tabus, como suicídio e depressão.

Ana, formada em hotelaria, sofria de depressão desde os 8 anos. Aos 23, a doen­ça lhe deu uma trégua e ela foi para Londres, onde durante um ano e meio estudou cinema. Quando voltou ao Brasil, os sintomas reapareceram. “Como não tratava a causa, tive uma recaída”, diz. Foi nessas condições, em 2006, que começou um curso de atuação. Lá conheceu Geison. Nascido em Jaboatão, interior de Pernambuco, ele não se sentia emocionalmente confortável. “Cresci num ambiente sem estímulos para me desenvolver. Era uma família religiosa, um presídio”, afirma ele. Em 1994, aos 12 anos, veio para São Paulo com sua mãe. No Sudeste fez teatro e, num dos cursos que frequentava, se encontrou com Ana. Como perceberam que tinham histórias de vida parecidas, em 2008 resolveram criar um projeto audiovisual. Assim nasceu a primeira obra, V.I.D.A., um curta-metragem que mostra a depressão do ponto de vista de quem sofre da doença. Inspirado na vida de Ana, o filme chamou a atenção. “Foi enviado no primeiro corte para o Festival de Brasília. Lá a sala teve lotação máxima. Aos poucos nos demos conta do tamanho do filme”, afirma Geison. Com o sucesso, a ideia de desenvolver um projeto social ganhou força. “Ana e eu entendemos que cinema não é algo que você coloca na prateleira.

É uma ferramenta para abrir o diálogo com as pessoas, sobre questões que incomodam.”
A partir daí, a Pensamentos Filmados começou a se moldar e a produzir outros filmes, tratando de outros temas delicados. O curta-metragem Solo fala sobre a solidão. Jogatina discute a psicopatia. Todos estão na internet, no site do projeto.

Para pagar os filmes, os fundadores da Pensamentos usaram o próprio dinheiro. “Fomos tentar pela Lei Rouanet e não conseguimos. Fui atrás de editais, não tive resposta. Não consegui apoio de empresas, mas muitas pessoas físicas ajudaram, ainda que de forma tímida”, afirma Ana. Ela faz bicos para conseguir o dinheiro. Os trabalhos vão de coaching para atores a aulas de inglês. Geison trabalha como caixa de um restaurante em São Paulo. “Para fazer nosso último projeto, tive de colocar R$ 1.000 do meu bolso, o Geison mais R$ 500, e todos os que trabalharam ali foram voluntários.”

FILMES E CAUSAS Capas dos DVDs da Pensamentos Filmados. Entre os temas: solidão, depressão, psicopatia e superação (Foto: Reprodução)

A ação trouxe resultados, principalmente entre quem sofre com os problemas retratados nas obras do projeto. Com os celulares disponíveis no site do projeto, os fundadores acabam se tornando orientadores de muitos que não sabem a quem recorrer. “Todo dia falo com gente que me procura nas redes sociais. Vou atrás de terapeutas e indico lugares que atendem de graça”, diz Ana. Uma ferramenta mais lúdica, como os vídeos, para disseminar conhecimento sobre temas tabus é bem-vinda. “Toda vez que alguém foge do normal das coisas e quer mostrar um outro lado, deve ser incentivado”, diz Adriana Rizzo, voluntária membro da comissão nacional de divulgação do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Mesmo com as dificuldades financeiras, há planos de crescer. Para o futuro, a Pensamentos planeja embarcar em esquetes de humor para internet que transmitam alguma mensagem positiva. O plano é arrecadar dinheiro com a publicidade da exibição dos filmes no YouTube. “Serão temas de comportamento abordados de maneira cômica, trazendo uma reflexão”, afirma Geison. “Acredito que podemos mudar o mundo. Principalmente começando por nosso próprio mundo”, diz Ana.

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