Frouxinhos contemporâneos

O medo é uma emoção básica na vida. Pequenas e grandes frustrações nos assolam por todos os lados.

Mas, já disse isso antes, acho que nunca houve uma época tão medrosa como a nossa, com um dom tão grande para negar esse medo e negar a complexidade e frustração a que estamos todos submetidos.

Associada a essa tendência, produzimos uma gama de "direitos" que mais parecem uma metafísica podre dos costumes para retardados.

Para cada frustração, alguém inventará uma derivação duvidosa da declaração dos direitos do homem. Aliás, vale lembrar que a famosa declaração dos direitos do homem foi cozida em muito sangue que correu pelas mãos dos jacobinos na Revolução Francesa. Imagino que se a revolução francesa fosse hoje, fotos nas redes sociais pedindo paz nas ruas de Paris encheriam os iPhones dos bonzinhos.

Outro dia, conversava eu com um amigo esquisito, historiador, portanto, esse tipo de pessoa que pensa "a longo prazo". Ele descreveu o que eu consideraria uma imagem de pura escatologia apocalíptica: um dia alguém vai declarar que ir ao banheiro é uma forma de repressão, e, portanto, vão inventar um movimento contra a opressão de ter que usar banheiros. "Que a rua seja o meu banheiro!"

A tipologia contemporânea de comportamentos tem crescido assustadoramente. O inteligentinho todo mundo conhece: é o tipo de pessoa que acha que problemas como o do Oriente Médio se resolveriam com um ciclo de cinema e debate sobre filmes que narram a vida de mulheres fazendo bolos ou crianças jogando futebol.

Na verdade, como sempre, a intenção "escondida" é projetar os bons sentimentos do inteligentinho para com o mundo e dizer que ele tem soluções criativas para uma humanidade que nunca foi tão inteligente como ele.

Outro tipo contemporâneo é o bonzinho. Este, com o coração ainda mais cheio de amor, costuma postar fotos dizendo "não" às guerras, de seu iPhone ou de seu MacBook Pro. Mas mais típico ainda é postar fotos de Aspen com camisetas do Che. Este tipo é normalmente teen, mesmo que já tenha passado dos quarenta. Seus pais dizem coisas como "comam menos carne vermelha para ficar menos agressivos".

Mas um novo tipo que logo estará presente nas colunas sociais em eventos culturais são os frouxinhos. Estes homens (gênero, não espécie) descobriram que é difícil ser homem, ainda mais numa época em que está na moda confessar traumas o tempo todo para garantir (supostamente) a simpatia de todos.

E, pior: vivemos numa época de mulheres que crescem profissionalmente, amadurecem publicamente e financeiramente e que, portanto, ainda metem mais medo do que sempre meteram nos homens.

Os homens não confessam, mas morrem de medo das mulheres, principalmente quando as desejam.

Façamos um breve exercício de antropologia contemporânea urbana para ver se conseguimos captar os próximos atos deste novo tipo.

Antes de tudo, um reparo técnico. Vale salientar que a descrição antropológica em questão não é financiada pelo Tea Party (como costumam dizer os bobos das redes sociais quando querem tirar o crédito de alguém que os considera ridículos), tampouco vem sustentada por uma metafísica machista fanática do tipo "homem não chora", ou "lugar de mulher é na cozinha". Risadas?

Vejo-os em passeatas, chorando, com cartazes escritos assim: "Pelo direito de brochar", "pelo direito de arrumar uma mulher que me sustente", "pelo direito de gritar quando aparecer uma barata na sala", "pelo direito de se negar a trocar o pneu", "pelo direito de ter tempo igual ao da mulher na frente do espelho", "pelo direito de ter TPM" (claro, a medicina é machista por isso nunca descreveu a TPM masculina), "pelo direito de colocar a mulher na frente do ladrão", "pelo direito de sair antes da mulher e das crianças numa situação de risco".

Meu Deus, coitadas das meninas, condenadas a ficar se virando em camas vazias com homens que não seguram o tranco da insustentável condição de insegurança, incerteza, contingência, dureza, mentira, frustração, e, finalmente, derrota, que nos assola todos a vida inteira.

Por Luis Felipe Pondé, via Folha.Com

Naum

O palco da história é grande. Personagens maiores que a vida aparecem nesse palco de tempos em tempos, gabando- se, brandindo armas e dinheiro, ameaçando e aterrorizando. Essas personagens não estão, como querem fazer crer, no centro do palco — aliás, não estão nem perto do centro. Mas fazem muito barulho e conseguem atrair muita atenção para si. Com frequência, conseguem grande audiência do povo e até a admiração deles:grandes territórios, enormes exércitos, pessoas importantes. Em qualquer momento da história, algumas superpotências e seus governantes dominam os noticiários. Em cada século, alguns nomes são gravados nos bancos dos parques numa tentativa fútil de atingir a imortalidade.
Há o perigo de que o barulho desses pretendentes ao poder nos distraia do que se desenvolve silenciosamente no centro do palco — na pessoa e na ação de Deus. A maneira característica de Deus agir é no silêncio e por meio da oração. “Estou falando”, diz o poeta George Meredith, “das forças despercebidas que fendem o coração e fazem o calçamento sacudir — forças que se escondem em pessoas pacíficas e nas plantas”. Se estamos condicionados a reagir apenas a tudo que faz barulho e a coisas grandes, vamos perder a palavra e a ação de Deus.
De tempos em tempos, Deus designa alguém para dirigir sua atenção a essas pessoas, nações ou movimentos apenas o tempo suficiente para fazer que o restante de nós pare de se espelhar neles e volte à ação principal:Deus! Naum foi o homem incumbido dessa tarefa no século VII a. C. A Assíria estava aterrorizando o mundo inteiro. Na época em que Naum profetizava, a Assíria (e sua capital Nínive) parecia invencível. Um mundo livre do domínio assírio era inimaginável. A tarefa de Naum foi tornar isso concebível, ou seja, libertar o povo de Deus da paralisia assíria, libertá- lo para crer num Deus soberano e orar a ele. A pregação de Naum, suas metáforas geradas pelo Espírito, sua sintaxe divina, fizeram a Assíria cair de seu imponente cavalo e limparam o campo visual dessa distração para que Israel pudesse enxergar que, apesar da reputação mundial, a Assíria não tinha tanto poder assim. Israel podia agora prestar atenção no que realmente estava acontecendo.
Uma vez que a mensagem de Naum tem um foco — a condenação de Nínive/Assíria —, é fácil achar que o profeta odeia a Assíria. Mas Naum prega com base num contexto mais amplo, em que os pecados de Israel são denunciados tão vigorosamente quanto os de qualquer um de seus inimigos. A finalidade de Naum não é fomentar o ódio religioso contra o inimigo, mas dizer:“Não admirem esses inimigos nem se sintam intimidados por eles. Eles serão julgados pelos mesmos padrões aplicados a nós”

Extraído: Bília A Mensagem

Sofonias

Nós, seres humanos, ficamos procurando uma religião que nos dê acesso a Deus sem termos de nos incomodar com os outros seres humanos. Recorremos a Deus para buscar conforto e inspiração quando estamos saturados dos homens, mulheres e crianças à nossa volta. Queremos que Deus nos dê uma vantagem na competição feroz do dia a dia.

A determinação de buscar uma religião que nos dê algum acesso privilegiado a Deus e ao mesmo tempo liberdade para tratar o semelhante como bem desejarmos é tão velha quanto o mundo. É o tipo de religião promovido e difundido com dedicação e engenhosidade por toda a história humana. É um negócio que está sempre em alta.

Também é o tipo de religião que os profetas bíblicos estão determinados a desarraigar, por isso fazem violenta oposição a ela.
Uma vez que a raiz da vida espiritual estável está embutida num relacionamento entre o ser humano e Deus, é fácil absorvermos a ideia equivocada de que minha vida espiritual é algo pessoal entre Deus e mim — um relacionamento privado a ser nutrido por orações, cânticos, leituras espirituais que confortam e inspiram e a adoração com pessoas que compartilham o mesmo sentimento. Se alimentarmos esse pensamento por muito tempo, vamos passar a crer que a forma com a qual tratamos as pessoas de quem não gostamos ou que não gostam de nós não importa para Deus.

É nesse momento que os profetas aparecem e nos interrompem, insistindo:“Tudo que vocês fazem, pensam ou sentem está relacionado com Deus. Cada pessoa que vocês encontram tem um vínculo com Deus”. Vivemos num vasto mundo de interconexões, e as conexões têm consequências sobre coisas ou pessoas — e todas as consequências convergem para Deus. A expressão bíblica que expressa esse fluxo de consequências é “dia do juízo”.
Nunca é demais lembrar esse raciocínio. A voz de Sofonias no coro dos profetas sustenta a intensidade e a urgência

Extraído da Bíblia A Mensagem

MIQUEIAS

 

Os profetas usam palavras para refazer o mundo. O mundo — terra e céu, homens e mulheres, animais e aves — foi feito no começo pela Palavra de Deus. Os profetas, quando entraram em cena, ao descobrir um mundo de desordem moral e espiritual, retomaram o trabalho das palavras para reconstruir o que a desobediência e a desconfiança humanas haviam demolido. Esses profetas aprenderam seu discurso com Deus. Suas palavras são fundamentadas em Deus, estimuladas por Deus, apaixonadas por Deus. Assim que as palavras deles entram na linguagem das nossas comunidades, homens e mulheres se descobrem na presença de Deus, que entra na confusão do pecado humano para corrigir e renovar.


Quando somos deixados por nossa conta, fazemos de Deus um objeto, algo com que podemos lidar, uma coisa que podemos usar em benefício próprio, seja essa coisa um sentimento, seja uma ideia ou uma imagem. Os profetas desprezam toda essa bobagem. Eles nos ensinam a reagir à voz e à presença de Deus.
Miqueias, o último membro daquele quarteto poderoso de profetas escritores que explodiu no cenário mundial no século VIII a. C. (Isaías, Oseias e Amós foram os outros três), como praticamente todos os seus colegas profetas (os incumbidos de manter o povo de Deus vivo para Deus e atento à voz de Deus), foi um mestre da metáfora. Isso significa que ele usou as palavras não somente para definir ou identificar o que pode ser visto, tocado, cheirado, ouvido ou experimentado, mas também para nos lançar dentro do mundo da presença. Experimentar a presença é entrar naquele mundo distante de realidades para o qual nossas experiências sensoriais apontam, mas não conseguem descrever — as realidades do amor e da compaixão, da justiça e da fidelidade, do pecado e do mal... e de Deus. Acima de tudo, de Deus. As realidades evocadas pela Palavra são aquelas nas quais se dá a maioria das ações do mundo. Não há “meras palavras”

Extraído da Bíblia A Mensagem

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