Lutero e o pecado que habita em mim

Introdução

Nesse mês de outubro celebramos 500 anos da Reforma Protestante. Um movimento que começou com um padre católico chamado Martinho Lutero, que no dia 31 de outubro de 1517 fixou 95 teses (ou uma chamada para um debate) na Catedral de Wittenberg. A Igreja Católica passara a conceder o perdão mediante contribuições financeiras. Lutero considerava que isso era venda do perdão, o qual só poderia ser concedido por Deus diante do arrependimento e da fé. Eram curtas, as teses de Lutero, mas profundas. Como a de número 76: ‘As indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais. ’ Foi o começo do fim de uma era.

Ao longo desse mês, vamos conversar sobre a Reforma Protestante, que não foi feita apenas por Martinho Lutero, mas por outros personagens e a cada domingo, vamos conversar na perspectiva de cada um deles.

Hoje, vamos conversar sobre aquele que começou a Reforma Protestante. Martinho Lutero. Quem foi Martinho Lutero?

Martinho Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483, filho de um minerador de prata de classe média. Preteriu o direito e voltou-se para um mosteiro, no qual, após muitas lutas, desenvolveu uma nova compreensão de Deus, da fé e da igreja. Isso o envolveu num conflito com o papado, seguido de sua excomunhão.

A turbulência na alma desse monge, chamado Martinho Lutero, que estava preocupado com o problema de como poderia ele, um homem pecador, permanecer na presença de um Deus justo, foi a ocasião imediata da Reforma Protestante, ou seja a Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero teve como objetivo a reforma moral, teológica e institucional da igreja cristã.

Lutero, afirmou, por exemplo, que a autoridade final na igreja não está no papa, nos concílios ou estado, mas na Palavra de Deus. Declarou que as pessoas não são salvas pelos seus próprios méritos, obras ou realizações, mas pela graça de Deus através da fé. Afirmou que cada crente é um sacerdote responsável por si mesmo e por seu próximo diante de Deus. Ele afirmava que nenhum sacerdote ou instituição pode responder por qualquer ser humano. Cada um é responsável. Cada pessoa deve crer por si mesma porque cada pessoa morre por si mesma. Lutero não somente aboliu a divisão entre leigo e religioso, mas também a distinção entre obras sagradas e seculares.

Um dos temas que mais chamava a atenção e era a luta constante de Lutero era o pecado. E é sobre isso que vamos conversar hoje:

Abra a sua bíblia no livro de Romanos capítulo 6

Pois bem, devemos continuar pecando para que Deus mostre cada vez mais sua graça? Claro que não! Uma vez que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? Ou acaso se esqueceram de que, quando fomos unidos a Cristo Jesus no batismo, nos unimos a ele em sua morte? Pois, pelo batismo, morremos e fomos sepultados com Cristo. E, assim como ele foi ressuscitado dos mortos pelo poder glorioso do Pai, agora nós também podemos viver uma nova vida.

Uma vez que nossa união com ele se assemelhou à sua morte, assim também nossa ressurreição será semelhante à dele. Sabemos que nossa velha natureza humana foi crucificada com Cristo, para que o pecado não tivesse mais poder sobre nossa vida e dele deixássemos de ser escravos. Pois, quando morremos com Cristo, fomos libertos do poder do pecado. Então, uma vez que morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos. Temos certeza disso, pois Cristo foi ressuscitado dos mortos e não mais morrerá. A morte já não tem nenhum poder sobre ele. Quando ele morreu, foi de uma vez por todas, para quebrar o poder do pecado. Mas agora que ele vive, é para a glória de Deus. Da mesma forma, considerem-se mortos para o poder do pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus.

Não deixem que o pecado reine sobre seu corpo, que está sujeito à morte, cedendo aos desejos pecaminosos. Não deixem que nenhuma parte de seu corpo se torne instrumento do mal para servir ao pecado, mas em vez disso entreguem-se inteiramente a Deus, pois vocês estavam mortos e agora têm nova vida. Portanto, ofereçam seu corpo como instrumento para fazer o que é certo para a glória de Deus. O pecado não é mais seu senhor, pois vocês já não vivem sob a lei, mas sob a graça de Deus.

Pois bem, uma vez que a graça nos libertou da lei, quer dizer que podemos continuar pecando? Claro que não! Vocês não sabem que se tornam escravos daquilo a que escolhem obedecer? Podem ser escravos do pecado, que conduz à morte, ou podem escolher obedecer a Deus, que conduz à vida de justiça. Graças a Deus, porque antes vocês eram escravos do pecado, mas agora obedecem de todo o coração a este ensino que lhes transmitimos. Estão livres da escravidão do pecado e se tornaram escravos da justiça.

Uso o exemplo da escravidão para ajudá-los a entender isso tudo, pois sua natureza humana é fraca. No passado, vocês se deixaram escravizar pela impureza e pela maldade, o que os fez afundar ainda mais no pecado. Agora, devem se entregar como escravos à vida de justiça, para que se tornem santos.

Quando eram escravos do pecado, estavam livres da obrigação de fazer o que é certo. E qual foi o resultado? Hoje vocês se envergonham das coisas que costumavam fazer, coisas que acabam em morte. Agora, porém, estão livres do poder do pecado e se tornaram escravos de Deus. Fazem aquilo que conduz à santidade e resulta na vida eterna. Pois o salário do pecado é a morte, mas a dádiva de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Qual a lição que nós podemos aplicar em nossas vidas no dia de hoje, ao ler esse texto de Paulo e que mexeu com Lutero?

Martinho Lutero, certa vez afirmou: O pecado original está em nós como a barba. Barbeamo-nos hoje, parecemos apresentáveis e nosso rosto está limpo; amanhã nossa barba cresce de novo, e não para de crescer enquanto permanecemos na terra. De maneira semelhante, o pecado original não pode ser extirpado de nós; ele brotará em nós enquanto vivermos.

O pecado faz parte da nossa natureza humana

Quando ligamos a televisão, assistimos os noticiários, lemos os jornais, vemos que algo está terrivelmente errado para com o mundo. Guerras, fomes, enchentes, genocídios, corrupção, opressão, exploração aos pobres, assassinatos e todo o tipo de injustiça e violência contra seres humanos parecem ser normais em nosso cotidiano.

Por que o homem não consegue encontrar paz? Parece que a natureza humana é afligida por um estranho vício de fazer o que é errado.

Qual a origem desses males e desses vícios? Para Lutero, pecamos ou praticamos o mal espontaneamente e voluntariamente. Continuamos querendo e desejando fazer o mal. Tentamos fazê-lo com as nossas próprias forças.

Pecado tem o significado de errar o alvo, no sentido espiritual, o alvo é o padrão ou a Lei de Deus. Toda vez que pecamos, erramos o alvo, fugimos do padrão de Deus para as nossas vidas.

O catecismo Menor de Westminster afirma que pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou qualquer transgressão dessa lei. Por isso, quando pecamos, pecamos essencialmente contra a santidade de Deus. O pecado é a infidelidade na palavra de Deus, desvio do caminho, saída do lugar seguro, cegueira espiritual, surdez, transgressão.

Romanos 6 nos traz um alerta. Quem tem poder sobre as nossas vidas? Quem é que está te controlando? O pecado? Romanos 6 nos desafia a sondar as nossas vidas, fazer uma inspeção profunda, nos reavaliar se não estamos sendo controlados pelo pecado. Quais pecados?

Paulo lista alguns desses pecados em 1ª Coríntios 6.9-11: Vocês não sabem que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não se enganem: aqueles que se envolvem em imoralidade sexual, adoram ídolos, cometem adultério, se entregam a práticas homossexuais, são ladrões, avarentos, bêbados, insultam as pessoas ou exploram os outros não herdarão o reino de Deus. Alguns de vocês eram assim, mas foram purificados e santificados, declarados justos diante de Deus no nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus.

O Espírito Produz Santidade

Muitos de nós, estamos em uma igreja, procuramos ter um relacionamento com Deus em busca de paz. Paz no casamento, paz na família, paz nos negócios, mas Deus deseja que sejamos Santos.

Por isso Paulo nos diz: “não deixem que o pecado reine sobre o seu corpo” Não deixe que você seja dominado pelo pecado. Não deixe, não ceda. Lute, não deixe que nenhuma parte do seu corpo se torne um instrumento de uso para o pecado. Tome cuidado com os seus pensamentos, tome cuidado com suas falas, tome cuidado com as suas ações, verifique se elas não estão a serviço do pecado, do mal.

O salário do pecado é a morte. Tem muita gente vivendo em um ambiente de morte. Tem muita gente vivendo em um ambiente escravizado, pela impureza, pela maldade, e sabe de uma coisa? Isso nos afunda a cada vez mais, cada vez mais que somos instrumentos do pecado nós ficamos cativos.

Paulo diz, em Romanos 1: vida deles se encheu de toda espécie de perversidade, pecado, ganância, ódio, inveja, homicídio, discórdia, engano, malícia e fofocas. Espalham calúnias, odeiam a Deus, são insolentes, orgulhosos e arrogantes. Inventam novas maneiras de pecar e desobedecem a seus pais. Não têm entendimento, quebram suas promessas, não mostram afeição nem misericórdia. Sabem que, de acordo com a justiça de Deus, quem pratica essas coisas merece morrer, mas ainda assim continuam a praticá-las. E, o que é pior, incentivam outros a também fazê-lo.

Mas qual é a solução? A solução é Cristo. Hoje você tem a oportunidade de avaliar sua condição espiritual e moral, hoje você tem a oportunidade de viver em santidade, hoje você tem a oportunidade de viver uma nova vida, peça, no dia de hoje, para o que o Espírito possa produzir santidade. Cristo é a nossa única fonte de salvação, de transformação, de renovação.

A grande pergunta de Romanos 6 é: Quem é seu mestre? Quem é o seu senhor? O pecado ou Deus? Hoje é dia de lutar, seus pensamentos estão te afastando de Deus? Lute contra eles.

O que está saindo da sua boca é algo que não agrada a Deus? Ao invés de produzir vida e abençoar outras pessoas, produz morte, produz discórdia, produz rebeldia? Lute contra isso.

As suas ações, estão sendo instrumentos do pecado? Lute contra isso. Chame o Cristo, o mesmo que mudou a vida de Lutero, e fale no dia de hoje: eu quero Deus, eu quero mudar a minha vida, eu quero ser transformado, eu não quer ser um instrumento do pecado, eu não quero ser um agente de morte, eu não quero errar o alvo, mas eu quero ser usado para abençoar.

Conclusão

Termino com o versículo 13: Não deixem que nenhuma parte de seu corpo se torne instrumento do mal para servir ao pecado, mas em vez disso entreguem-se inteiramente a Deus, pois vocês estavam mortos e agora têm nova vida. Portanto, ofereçam seu corpo como instrumento para fazer o que é certo para a glória de Deus.

Saia daqui no dia de hoje, oferecendo seu corpo como instrumento para fazer o que é certo para a glória de Deus. Oferecer implica que é uma atitude sua. Você é quem tem que dar um passo. Cristo espera uma atitude sua, de entregar, de deixar ser moldado. Entregue-se, nessa noite, inteiramente à Deus, entregue-se e peça para que Cristo te faça um novo homem, uma nova mulher, para que a Glória dele possa resplandecer, brilhar e que você possa viver sob a luz de Cristo. Para a honra e glória de Cristo amém!

 

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