O executivo e o ermitão

Extraído do livro: O Impostor que vive em mim

E bem parecido com a história do executivo arruinado que foi até um sacerdote que vivia no deserto e se queixou de sua frustração na oração, sua virtude violada e seus relacionamentos falhos. O ermitão escutou atentamente a descrição que o visitante fez de suas lutas e decepções na tentativa de levar uma vida cristã. Então, foi ao recôndito escuro de sua caverna e saiu de lá com uma bacia e um jarro de água.

“Agora, observe a água enquanto a derramo na bacia”, ele disse. A água esparramou no fundo e junto aos lados do recipiente. Estava agitada e turbulenta. No início, a água agitou-se, fez um redemoinho em torno da parte interna da bacia; então, gradualmente começou a se acalmar, até que, no final, as pequenas e rápidas oscilações se tornaram ondas maiores que se moviam para frente e para trás. Depois de um tempo, a superfície se tornou tão lisa que o visitante pôde ver seu rosto refletido na água tranqüila. “É isso que acontece quando se vive constantemente em meio aos outros”, disse o ermitão. “Você não se vê como realmente é por causa de toda a confusão e perturbação. Deixa de reconhecer a presença divina em sua vida, e a consciência de ser o amado lentamente desaparece.”

Leva tempo para a água se acalmar. Atingir a tranqüilidade interior exige espera. Qualquer tentativa de apressar o processo apenas agita, novamente, a água.

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