O debate sobre a fraternidade

Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores. [Marcos 2.17]

No relato do segundo debate no livro de Marcos, a expressão “publicanos e pecadores” ocorre três vezes. Como já vimos (p. 188), os publicanos eram malvistos por todos, até mesmo odiados, ao menos pela população judaica local na Galileia, primeiro, porque os impostos que recolhiam eram destinados aos cofres de Herodes Antipas; segundo, porque seu trabalho os colocava em contato próximo com os gentios; e, terceiro, porque eles tinham como prática extorquir o máximo de suas vítimas.

“Pecadores” nesse contexto não eram somente os que desobedeciam à lei moral de Deus (todos nós), mas aqueles que, por ignorância ou intencionalmente, não viviam de acordo com as tradições dos escribas. Ambos os grupos eram evitados pelas pessoas respeitáveis, que não lhes dariam hospitalidade nem a receberiam deles por medo de contaminação cerimonial. Jesus, no entanto, deliberada e gratuitamente confraternizava com eles e não tinha temor algum com relação a isso. Ele chamou Levi-Mateus, um publicano, para segui-lo e aceitou seu convite para cear em sua casa, juntamente com muitos outros publicanos e “pecadores”.

Quando os mestres da lei fizeram objeções ao gesto de Jesus, ele respondeu citando um provérbio no qual se comparava a um médico cujo ministério não era entre os sãos, mas entre os doentes, de modo que inevitavelmente ele seria encontrado entre aqueles que dele necessitassem. Ao dizer que viera para chamar ao arrependimento não os justos, mas os pecadores, ele não sugeriu que algumas pessoas eram justas e não precisavam de salvação, mas que algumas pensavam que o eram. Ao usar a palavra justo ele quis dizer “hipócrita”. Assim como só vamos ao médico se estivermos doentes e admitirmos isso, só vão a Cristo aqueles que reconhecem que são pecadores. Nada é mais eficaz para nos afastar do reino de Deus que o orgulho e a autossuficiência.

Para saber mais: Marcos 2.13-17

>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott].  Editora Ultimato.

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